sábado, fevereiro 25, 2006

É carnaval! Alegria! Mas... até quando, mesmo?

É carnaval! Mesmo que você não goste, não tem como escapar do "clima" de folia que se espalha pela cidade. Festa, cor, prazer, tudo levado até as últimas conseqüências, até o talo, pra compensar um ano inteiro de problemas, ralação e desprazeres, e pra se preparar pros problemas que batem à porta depois da quarta-feira de cinzas. Vale tudo - afinal, esses quatro dias são pra isso mesmo, não é? Esquecer dos problemas e "se jogar" na vida! E o que sobra depois disso? O nome não poderia ser mais apropriado: cinzas. Destroços. Restos. Mortificações.

Acho ótima essa alegria, esse sentimento de liberdade, de desprendimento dos problemas. Afinal, não há coisa pior do que viver atormentado pelos problemas do cotidiano, carregando um fardo tão pesado que nos impede de andar em direção à solução destes problemas. Mas por que essa alegria tem que durar só quatro dias? Por que só dá pra ser feliz nessa época do ano? Por que essa "alegria" tem que ser regada a álcool, exagero, promiscuidade, desequilíbrio?

Isso tudo me cheira a falsidade. Mentira. O carnaval é, pra mim, apenas mais um mecanismo do sistema opressor. Vivemos com pouco dinheiro o ano inteiro, ralando pra manter o mínimo de dignidade que ainda nos resta, nos submetendo às condições subumanas (é estranho, né? Mas é assim que escreve) que os nossos governantes nos oferecem. Quando estamos a ponto de explodir, o que nos é sugerido? Quatro dias pra soltar os bichos, pôr de lado o estresse, as mazelas, esquecer o sufoco que passamos durante o ano inteiro. Assim, passamos a achar "normal" a situação em que vivemos. Não tem outro jeito, tá ruim pra todo mundo, né?

Ledo engano (ledo mesmo!). Quem é que disse que a gente tem que se conformar? E quem é que disse que alegria tem que ter data e hora pra começar e terminar? E quem foi que disse que isso aí é alegria? Será que tanta depravação e libertinagem realmente fazem alguém feliz de verdade, profundamente? E por que dependemos das condições pra sermos felizes?

Eu conheço uma alegria que dura muito mais do que quatro dias, e não tem nada a ver com a solução que as religiões oferecem. Tem a ver com Aquele que é o dono da verdadeira alegria, que é capaz de gerar em nós uma paz que excede todo o entendimento (Fp 4:7). Essa paz não está sujeita a dinheiro no banco, saúde, ausência de problemas ou qualquer outra condição que acreditemos ser imprescindível para vivermos bem. É a paz que só aquele que conhece a Cristo com intimidade pode desfrutar. É essa paz que nos faz seguir em frente mesmo quando todas as circunstâncias dizem "não". É essa paz que nos faz sentir uma alegria permanente e real, porque suas raízes não estão fincadas em calendários humanos, mas na morte de Jesus na cruz, que trouxe vida abundante pra todo que crê e aceita esse sacrifício.

"O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância" (Jo 10:10)


No Carnaval, a diferença entre o "ladrão" e Cristo fica bem clara. O ladrão vem pra roubar a vida abundante, trocando-a por uma falsa sensação de liberdade de duração curta. Ele mata a esperança e a vontade de fazer as coisas darem certo, de não se render ao sistema, fazendo-nos aceitar tudo como está. Destrói os valores morais, a noção de certo x errado, o equilíbrio que nos faz ter uma vida saudável. Mas Jesus vem para desfazer as obras do ladrão, trazendo-nos vida de príncipes e princesas, filhos do Rei dos Reis, desfrutando livremente da Sua presença que transforma todo lamento em baile!

"Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria, para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. SENHOR, meu Deus, eu te louvarei para sempre."
(Sl 30:11-12)

"Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo"
(Rm 14:17)

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Apaixonada... Simples assim!

Estou apaixonada...

E adoro me sentir assim, neste estado de êxtase, encantamento inicial com as coisas. Não necessariamente com coisas novas, mas pela redescoberta das antigas... E pelas surpresas que Deus me proporciona a cada dia.

Nenhuma palavra que eu conheça é capaz de descrever o que venho sentindo nessas últimas semanas. Só sei que é algo maior que eu, não sei explicar, não sei controlar... E, pelos comentários das pessoas ao meu redor, parece que está bem explícito mesmo. Me sinto mais bonita, mais confiante, mais segura dos meus sonhos... E até mais livre pra lidar com meus medos, anseios, dúvidas e nóias.

Estou apaixonada pelo meu Deus, que tem aberto os meus olhos pra ver o quanto Ele tem me abençoado e me proporcionado viver coisas lindas todos os dias. Estou apaixonada pelo meu namorado, um presente dos mais lindos que eu já ganhei. Apaixonada pela minha faculdade, que abre os meus horizontes e me dá novas perspectivas. Apaixonada pelos amigos que fiz lá nesses últimos dias - encontros inesquecíveis, sem dúvida (you know who you are!). Apaixonada pela música, cada dia mais. Apaixonada pelo meu espaço, pela minha liberdade, pela minha insanidade pontual... Apaixonada por este blog!

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Tensão

É impressão minha ou ativaram algum disparador de estresse nas pessoas? Caramba, qualquer coisinha já vira um barraco, uma exigência pelos seus direitos, uma oportunidade de auto-afirmação sobre os outros! Que necessidade é essa que as pessoas têm de se afirmar o tempo inteiro?

Eu aprendi com alguém (não me lembro quem...) que todo inseguro quer um lugar de destaque. Todo esse estresse, essa tensão que exalta o ânimo das pessoas o tempo inteiro e as faz querer brigar, mostrar que não são bobas, que sabem o que querem, pra mim cheira a insegurança. E eu acho um saco isso, essa gente querendo fazer você de cobaia pra mostrarem que elas têm algum valor. E parece que isso só é possível rebaixando e ofendendo os outros (faz sentido, pra você se sentir superior, a saída é inferiorizar os outros!) Às vezes, tenho que respirar fundo e pensar 500 vezes pra manter o controle diante de gente assim.

Não há que se provar pra ninguém quem você é de verdade - a vida se encarrega disso ao longo do tempo. E por mais esforço que se faça para parecer algo diferente, a tão falada máscara cai um dia, e não há como escapar. Sem que falar que, pra vivermos em sociedade, uma regrinha básica é a tolerância... Ah, já havia me esquecido - no mundo de hoje não há espaço pra isso, né? Só há espaço pros egos feridos.

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há..."

sábado, janeiro 07, 2006

Dança da Solidão

Eu gosto de ficar sozinha, embora isso quase nunca aconteça. Estou sempre rodeada de muitas pessoas, onde quer que eu vá. Talvez por isso, desenvolveu-se em mim a estranha habilidade de estar sozinha mesmo em público.

Não é que eu não goste de gente - pelo contrário. Amo gente, amo cheiro de gente, amo gente que não tem medo de ser gente. Amo estar rodeada de amigos, amo a risada deles, amo os olhares... Amo até gente estranha aos meus olhos, gente que não conheço, até gente que me incomoda. Mas todo mundo precisa ficar sozinho ás vezes, só você e ponto. E como eu quase nunca consigo fazer isso, a necessidade desses momentos "a sós comigo mesma" torna-se mais presente e insistente.

Ainda tem o agravante de, aqui em casa, não haver o mínimo de respeito pela privacidade alheia (considerada como "frescura" por aqui). Todo mundo entra a hora que quer, fala o que quer, dá palpite na sua roupa, no seu namoro, na arrumação do seu quarto, no corte do seu cabelo. Não consigo nem orar em paz que já vem gente querendo saber porque eu tô chorando/rindo/quieta.

É por isso que bato tanto o pé por um quarto só meu. Acho que, mesmo depois que eu casar, além do quarto que vou compartilhar com meu marido, vou querer um quarto só pra mim. Preciso ter meu espaço, meu canto. Guardar minhas agendas antigas sem ter o perigo de ninguém ler e nem ter que responder pra que eu quero guardá-las. Guardar meus discos da infância, minhas bugingangas, as cartas dos amigos, as lembranças do ex-namorado. Ficar sozinha, me curtindo, curtindo quem sou, quem me tornei ao longo dos anos e planejando (ou não) quem pretendo ser. Curtindo o meu Deus, com liberdade pra chorar, falar, gritar, dançar, calar, me expor diante dEle, deixar que Ele me mostre quem sou, que cure minhas feridas, que ministre ao meu coração.

Coloco o celular pra despertar de madrugada. Vou pra sala, abro a janela e sento no parapeito. Acham que estou com insônia ou que estou com problemas e não quero me abrir. Deixa pra lá. Eu sei bem o que estou fazendo ali...

I'm not a girl - there is no need to protect me
It's time that I learn to face up to this on my own
I've seen so much more than you know
Now don't tell me to shut my eyes
I'm not a girl, don't tell me what to believe
I'm just trying to find the woman in me
All I need is time, a moment that is mine
While I'm in between
I'm not a girl
But if you look at me closely
You will see in my eyes
This woman will always find her way...

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Admita, Letícia

Admita, Letícia: vocês não são mais os mesmos amigos de antes. Vocês não são mais aqueles amigos-irmãos que se entendiam apenas pelo olhar, que se afinavam, que incentivavam um ao outro. É duro, mas isso passou.

Entenda, Lê, a vida passa e as pessoas seguem seus rumos. Você não é mais a mesma: cresceu, amadureceu, mudou, em todas as áreas da sua vida. Já entendeu qual é o seu ministério, já encontrou seu lugar em Deus, já encontrou também o homem que vai caminhar com você pro resto da vida. Não tem mais os mesmos sonhos - eles também cresceram e amadureceram.

Assim como aconteceu com você, ele também deve ter mudado. Mas como isso aconteceu longe de você, agora você está assim. Triste, confusa, se perguntando se foi algo que você fez que possa ter causado essa perda de intimidade e afinação. Eu sei que ele é muito importante pra você, Lê. Não precisa me dizer. Eu estava lá com você, eu sei a diferença que ele fez e ainda faz na sua vida. Sei também que esse sentimento sempre foi puro e inocente. E por te conhecer muito bem, sei que você é carente. Você precisa ter todos os seus amigos do seu lado, precisa saber se eles estão bem, se estão felizes... E embora vocês os respeite em suas escolhas e decisões, está sempre ao lado deles, concordando ou não com eles. Mas não dá pra ser assim sempre.

Eu sei que dói lembrar dele, da amizade, da intimidade que vocês tinham. Dói mais ainda não ter nem como conversar com ele sobre isso, por você mesma ter dúvidas se isso não passa de sensibilidade excessiva. Você deve estar pensando: "É isso que dá mergulhar tão fundo!". Mas você e eu sabemos que você só sabe ser assim, intensa em tudo o que faz e vive. Sei também que ele está bem guardado no seu coração, pra sempre.

Vá em frente, siga seu caminho. Quem sabe vocês não se esbarram por aí...

De: Letícia (razão)
Para: Letícia (emoção)

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Impressões

A primeira impressão pode ser a que fica, mas será que é a que corresponde a realidade? Aliás, mesmo depois de muitas impressões, será elas são suficientes para se julgar alguém?

Acho que não. Mas parece que o mundo acha que sim. Sentenciar alguém baseado no que parece ser, por mais apurado que seja o seu grau de "percepção", é arriscado, injusto e mentiroso. Ninguém pode penetrar a divisão da alma e do espírito a não ser o Espírito Santo, e é por isso que só Ele pode sondar e julgar. E se Ele não me condena, quem é que vai ousar fazer tal coisa?

Ninguém sabe por que ando com sono mesmo fazendo o que tanto gosto. Ninguém sabe por que motivo escolhi estar muito arrumada e chique num dia e completamente praiana no outro pra ir ao mesmo lugar. Ninguém sabe por que cortei o cabelo. Ninguém sabe porque já estou de saco cheio deste ano que foi tão importante pra mim em tantos aspectos. Então, não fale, não julgue, não determine nada sobre mim. E nem duvide da minha capacidade de fazer o que quero.
 
Revolução em Mim. Design by Exotic Mommie. Illustraion By DaPino