domingo, janeiro 20, 2008

Ele não mudou, Ele é o mesmo Deus!

Há uma palavra pulsando em meu coração: Deus ainda opera! Ainda fala! Ainda hoje!

Ok, eu sei que você sabe que Deus é poderoso e soberano, que Ele abriu o mar, alimentou seu povo no deserto, fez brotar água da rocha, fez com que a estéril se tornasse mãe e tantos outros milagres poderosos. Mas será que você realmente crê que Ele ainda faz milagres como esses ou ainda maiores na tua vida hoje?

O Espírito Santo tem me incomodado quanto a isso. Porque no passado os milagres eram tão mais constantes? Será que Deus mudou ou foi a nossa fé que enfraqueceu, inundada por questionamentos, superficialidade, naturalidade? Até onde minha fé é verdadeira? Até onde creio sem pestanejar que todas as Suas promessas sobre a minha vida se cumprirão? Será que tenho andado no natural ou no sobrenatural de Deus?

Eu quero andar no sobrenatural, porque o Evangelho é sobrenatural. A bíblia diz que os sinais seguem os que crêem, e eu quero esses sinais! Não quero que meu ministério seja marcado somente por belas canções, mas por salvação, cura, restauração de famílias, libertação dos cativos! Foi para isso que Deus nos chamou! Se nós depositarmos toda a nossa confiança em Deus, e olharmos para Ele somente, tudo o que precisamos acontecerá, por mais impossível que pareça aos nossos olhos limitados.

Deixe-se invadir pelo sobrenatural de Deus. Deixe que Ele te livre da religosidade, dos dogmas e tradições criados pelo homem. Deixe-se ser liberto de uma vida medíocre, de migalhas, que não é o que Ele tem pra você. Deixe que Ele te leve a novas experiências, a novos lugares em Sua presença. Permita-se viver dependente dEle, sem preocupações nem ansiedades. Obedeça a Sua voz ainda que pareça loucura. Deixe-se levar pelos rios do Espírito, e não se preocupe: você estará em boas mãos.

Mas não se esqueça: o maior milagre que alguém pode viver é ter a salvação em Jesus...

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Presente

Enquanto dava continuidade à minha arrumação de armários, me deparei com um problema básico: tenho muito papel pra pouco espaço. Coisa de professora (aquela infinidade de livros que eu já li + aquela infinidade de livros que eu juro que vou ler), coisa de quem se apega demais às lembranças que os objetos reacendem. Mas tenho que aprender a conviver apenas com a memória, e nem tanto com os objetos, simplesmente porque não tenho mais espaço físico pra isso!

Pensando numa solução para otimizar meu espaço, me deparei com as minhas agendas que guardo desde 1999. Que exercício difícil de desapego foi me desfazer delas! Não pelas agendas em si, mas pela minha história ali descrita, escrita, vivida, sentida. Enquanto relia cada uma e ia destacando as páginas mais 'importantes' pra guardar (ah, também não vou jogar tudo fora, né?), me dei conta de como a adolescência é uma fase intensa. Tudo é pra sempre, tudo é definitivo, tudo é até o talo - ao menos na nossa cabecinha. A cada nova paixão, a certeza de que seria para todo o sempre, que aquele era o melhor homem do mundo, escolhido por Deus para ser o príncipe encantado no cavalo branco! Não deixa de ser engraçada essa nossa relação com o mundo, e também não deixa de ter o seu lado bom. A maturidade traz muitos benefícios, mas o ideal é guardar a dose necessária de loucura, paixão e insanidade para tornar os relacionamentos mais divertidos!

É muito bom ver que o tempo passa, e que cada uma das 'decepções' me fez aprender algo e construiu quem eu sou. O tempo é senhor de tudo, e Deus é o Senhor do tempo! As coisas tomam o rumo que tem que tomar. Simplesmente. O que parecia ser eterno, não o foi; e o que parecia que nem sequer existia, perdurou.

Inebriada pelas lembranças, recebi um lindo poema que uma pessoa muito especial na minha vida fez pra mim. Digo 'pessoa muito especial' pela simples falta de uma nomenclatura pra nossa relação. É amor, é amizade, é curtição, é cuidado, é tudo isso misturado, é muito mais que isso. Como é bom saber que você conseguiu despertar em alguém motivação pra escrever coisas tão bonitas... Isto me fez ganhar o dia! Me emocionei não só pela beleza e profundidade das palavras, mas pela verdade delas. Querido, o que você enxergou não é meu - é do Espírito Santo. Obrigada por fazer parte da minha vida de maneira tão especial.

É por isso que valorizo tanto minhas lembranças - porque o passado sempre remete ao futuro, porque foram as escolhas que fiz que determinam quem sou. E é muito bom saber que, quando submetemos nossas escolhas a Deus, tudo é perfeito e agradável...

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Aberta para balanço

Esta é uma época propícia para fazer o balanço do que já passou e se preparar para o ano que virá. Ok, ok, isto é um clichezão daqueles, mas vai dizer que não faz um bem danado dar aquela geral nas gavetas e nos armários? Se livrar de um monte de tralha que a genta guarda nem sei pra quê? Entrar no ano novo bem mais leve? É tudo de bom! rsrs

Pois é, faço isto todo ano. Até porque é a única época em que eu tenho tempo pra isso. E eu tenho um grande talento pra guardar coisas, mas quase nenhum pra mantê-las em ordem (ah, Papai do Céu, me ajuda nisso em 2008!). E é inevitável mexer também nas nossas lembranças, exercitar o desapego, deixar pra trás o que não nos serve, ou o que não precisamos, doar não só o que era seu, mas um pouco de nós que impregnamos nas coisas.

Esta época de Natal é meio chata pra mim... Se por um lado é uma ótima oportunidade para presentear nossos queridos, fico triste com toda essa correria das festas e de ver que o motivo principal da celebração (JESUS!!!) é esquecido quase por completo. Mas o Ano Novo eu aproveito bem - pra refletir, ponderar, reorganizar, planejar, mudar por dentro e, pela primeira vez de forma planejada, mudar por fora (acho que vem cor nova de cabelo por aí... rsrsrs) Mas o que mais tenho feito nestes últimos dias é agradecer. E como tenho coisas pra agradecer!!!

Ontem, enquanto tirava meu tempinho com Deus, li o Salmo 4:8: "Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.". Já havia lido este trecho várias vezes, mas ontem fiquei pensando em quanto Deus nos dá sem que precisemos pedir, em quanto Ele nos propicia tudo o que precisamos sem que nos demos conta! Esta certeza - de que Ele é Pai, sabe tudo o que nós precisamos melhor do que nós mesmos - pauta a minha vida e esta segurança me traz paz... Quantas vezes Deus me negou coisas que eu queria tanto, mas que depois se mostraram grandes furadas! Ele já me livrou de poucas e boas! E quantas vezes foi surpreendida por Seu zelo e cuidado em detalhes tão pequenos, mas tão importantes! Aprendi, então, a descansar, relaxar. Sei que Ele tem o melhor pra mim, sempre.

É isso que eu desejo para vocês, leitores deste humilde blog: paz em 2008! Aquela paz definitiva, que não depende de circustância alguma, e que só aprende a desfrutar dEla quem se abre pra Deus...
Feliz Ano Novo!

"E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus." (Filipenses 4:7)

sábado, dezembro 15, 2007

A vulnerabilidade do Cristianismo

A vulnerabilidade do Cristianismo
(por Daniel Nunes - www.poetaseprofetas.com.br)

Vitor cursava seu primeiro período na universidade quando se deparou com uma daquelas aulas de filosofia que deixa qualquer um de cabelo em pé. O tema era perfeição. Seu professor queria provar que Deus não é perfeito, defendendo a tese de que perfeito é todo aquele que é auto-suficiente. Se Deus é perfeito, por que então sentiu a necessidade de criar o homem?

Acredito que estamos em tempos em que precisamos entender a razão da nossa fé, o porquê de fato escolhemos ser cristãos.

À luz da bíblia, perfeição é relacionamento. O que faz uma árvore se tornar perfeita? A árvore se torna perfeita porque ela se relaciona com a terra, com a água e com o sol, isso faz dela uma perfeita árvore. Por que Deus é perfeito? Porque Ele é relacional, base do cristianismo, o homem sendo vulnerável a Deus, a si mesmo e ao próximo.

Mas o que é vulnerabilidade? Segundo o dicionário Aurélio vulnerabilidade é estar pronto para ser atacado, ser alguém sem defesa, ser fraco.

Jesus nos ensinou isto a todo tempo. Ele não viveu nenhum segundo de sua vida na Terra sem a vulnerabilidade do relacionamento. Paulo relata isto em Filipenses 2. Jesus, sendo Deus, decidiu ser vulnerável ao homem para redimir o relacionamento em todas as esferas da vida humana.

Ser cristão é ser vulnerável, sem ter medo de transparecer fraquezas, mas fazendo do relacionamento um meio total de vida.

O evangelho pós–moderno tem ensinado exatamente o contrário, isto tem gerado destruição em nossa sociedade e em nossas igrejas. Afinal somos fortes demais, bons demais. Perdemos o valor relacionamento e nos tornamos um fim em nós mesmos.

Quem dera nossos líderes fossem fracos, talvez assim não teríamos igreja dividida. Quem dera nossos governantes fossem vulneráveis, talvez assim não teríamos um sistema tão corrupto. Creio que nisto está o segredo da redenção da sociedade e do homem, nisto está o avivamento.

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Este texto traduz muito do que eu penso. Daniel foi simples e direto contra este evangelho de "super-homens" que tem sido pregado por aí, e do qual me recuso a fazer parte. Criamos uma teoria anti-bíblica de que somos todos fortes, não podemos errar nunca, somos perfeitos em absolutamente tudo. Ai de quem cair ou errar.

Pra mim, este tipo de 'evangelho' exclui Cristo do nosso dia-a-dia. Se somos fortes, pra que precisamos dEle?

"E aconteceu que, estando sentado à mesa em casa deste, também estavam sentados à mesa com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos, e o tinham seguido. E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores? E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento." (Mc 2:15-17)

Hoje, ainda não entendemos para quem Jesus veio. Continuamos repetindo o mesmo discurso dos escribas e dos fariseus, nos posando de fortes e justos. Entendam, não estou dizendo que somos 'fracotes' - somos fortes em Cristo, Ele é a nossa fortaleza e nEle podemos suportar todas as coisas e avançar. Sim, somos fortes, mas em Cristo! E Ele mesmo nos ensina a sermos humildes, dependentes dEle. Para que necessito de Jesus se eu não peco (logo, não preciso de perdão)? Para que preciso de um salvador se eu não tenho falhas? Para que preciso de cura se não tenho mágoas, dores ou feridas? Para que preciso de um amigo como Cristo, se eu não tenho nenhuma fraqueza a desabafar?

É claro que, assim como o escritor de Hebreus nos ensina, buscamos a santificação
, qurendo ser cada dia mais parecidos com o Senhor (Hb 12:14). Mas só seremos santos se nos relacionarmos com Ele, e para isso precisamos assumir quem somos. É diante dEle que expomos nossas fraquezas, nossa pequenez, nossa necessidade de mais e mais do cárater e da vida dEle em nós. Embora o chamemos de 'Pai', parece que esta intimidade fica só nas palavras.

A Bíblia também nos ensina a contar com nosso irmãos (afinal, somos família, somos corpo - se um sofre, todos sofrem).
Tiago nos ensina a confessar nossas culpas uns aos outros, não para a fofoca, mas para oramos uns pelos outros e sermos suporte do nosso irmão (Tg 5:6). Não estou dizendo que nossa vida tem que ser um livro aberto, que todos devem saber de tudo. Muita calma nesta hora. O que Tiago nos ensina é que não podemos ter medo de nos expor, de nos relacionar com quem confiamos e assumir: "preciso de ajuda". Isto não mata ninguém!

Não nasci com a capa da Mulher Maravilha e não pretendo adquiri-la. Tenho meus medos, dúvidas e fraquezas, momentos de incerteza e indecisão, períodos de querer chutar o balde, como qualquer pessoa normal. Mas aprendi que não preciso - e nem quero - usar máscaras, nem diante de Deus, nem diante dos meus irmãos. Deus é meu Pai, e me ama bem assim do jeito que sou. Ele quer me mudar, me fazer mais parecida com Ele, mas isto só pode acontecer se eu estiver livre de qualquer 'pose', se eu reconhecer que preciso do agir dEle em minha vida! Como bem disse o Daniel, isto é avivamento!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Que venha um novo tempo, uma nova adoração

"Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade."
(2 Co 3:17)

Nós vivemos pedindo o novo de Deus. Enchemos os pulmões pra cantar que somos totalmente dEle, que estamos abertos para um fluir diferente, para sermos surpreendidos, que queremos experimentar mais do Espírito Santo. Entoamos belas canções pra dizer que Ele é o nosso maior amor, e que não nos importamos com o que as pessoas ao nosso redor possam dizer. Tomamos como exemplo Maria, que num ato de adoração tido como "extravagante" pelos da sua época, se derramou aos pés de Jesus chorando, e secou as lágrimas com seus cabelos. Mas na hora de viver tudo isso, falhamos. Por um simples motivo: religiosidade.

Se há algo que me incomoda por demais é religião. Tenho verdadeiro pavor disso. Tudo que a religião conseguiu até hoje foi gerar homens que se acham perto de Deus, mas não estão. E em nome desta falsa certeza, o que vemos são guerras, discriminações, fanatismo - tudo o que gera morte. E Deus nos chamou para a vida! ("O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." João 10:10).

Pois é, mas andamos esquecendo disso. Trocamos a liberdade que Jesus conquistou na cruz por um monte de regrinhas que a gente segue sem nem questionar, porque enfiaram na nossa cabeça que pensar é pecado. Não, não é. Julgar é pecado. Não amar é pecado. Desobedecer é pecado. Pensar não é - é um privilégio dado por Deus para que seus filhos se aproximem dEle e da verdade. O Espírito Santo é o que nos guia a toda verdade (Jo 16:13) e nos dá capacidade para refletir se algo é genuinamente de Deus ou não. Vemos um povo hoje cheio de fé, mas sem maturidade espiritual, que é levado por qualquer modismo, simplesmente porque não abrem as escrituras para, através da direção do Espírito Santo, provar se as coisas são de fato como estão sendo ensinados ("Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." Atos 17:11)

É incrivelmente triste perceber como limitamos o agir Deus. Pedimos o novo, mas só O deixamos agir conforme já estamos acostumados. Qualquer coisa que não entre no nosso conceito de "divino" é tido como "fora do padrão", "exagero", "tá atrapalhando o culto" e outras baboseiras. Um bando de hipócritas, é isso que somos. Relegamos a segundo plano o mover do Espírito Santo por um bando de convenções estabalecidas não sei por quem, mas que só nos atrapalham em ter mais dEle. Aff, tô cansada.

Deus deu a uma das jovens da minha igreja uma canção que diz:

"Que venha um novo tempo, uma nova adoração
Que seja constante em nosso coração
A vontade de te conhecer, Senhor
Inconformado eu sou
Quero mais de Ti, Senhor
Antes eu te conhecia de ouvir falar
Agora Te conheço de contigo andar
Teu amor me constrangeu e comecei a Te amar
Quero mais Te conhecer, Jesus
Quero mais amar você, Jesus
Quero mais do Teu poder, Jesus..."

Tenho cantando esta canção como um clamor. Quero sim um novo tempo, quero ser totalmente livre de qualquer barreira que eu ou qualquer coisa ao meu redor possa colocar ao mover do Espírito. Quero andar com Deus, porque assim conheço o coração dEle e não vou ser pega no engodo da religiosidade e das tradições. Seja livre na minha vida, Espírito Santo de Deus!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Formandos

Só me toquei que hoje era o meu último dia na graduação da Letras quando estava indo embora. Que coisa. Todos aqueles clichês de "é um ciclo que se encerra, outro que se inicia" passam pela minha cabeça agora. Aliás, acho que este vai ser o post mais clichê da história deste blog!

Não vou sentir falta do Fundão simplesmente porque não vou parar de freqüentá-lo. Mas já sinto saudade de tudo o que vivi lá. Lembro da emoção e da surpresa de passar no vestibular, da novidade, da responsabilidade, do medo... Ai, me vem de novo o frio na barriga que senti no primeiro dia de aula! O dia do trote, os micos, as choradeiras na xerox (tudo i$$$$o?), os Lit Traillers, as reclamações das notas baixas que sabíamos que merecíamos, as comemorações das notas altas que sabíamos que não merecíamos, a raiva pelos trabalhos que tínhamos certeza que eram os melhores das nossas vidas e foram contemplados com um belo 5,0! Os almoços rachados no CT, as aulas sem noção da Licenciatura (com desconto pro Plínio, de Didática) as madrugadas viradas para produzir essays que não tínhamos nem idéia de como começar (thanks a million, SparkNotes!), o cheiro de cigarro de baile pelo ar, o Gregory querendo fazer a revolução no Pátio Central... E os saraus mega sem-noção, frequentados apenas pelos próprios declamadores??? O CLAC, tudo de bom na minha vida e de tantos outros, onde aprendemos a ser profissionais e a gostar de ensinar... As reuniões do Alfa e Ômega e os frutos que ela trouxe, Pelizzon e Oséias sempre quebrando nossos galhos, a paixão fulminante pela Lingüística, que deu sentido à minha graduação, as mil aulas pra dar em mil lugares diferentes pra sustentar meu sonho...

Mas o que faz do Fundão ser o que é são as pessoas. Era cada figura maluca que encontrávamos pelos corredores... O tarado do chapéu branco (corre, Talita!), o maluco de boina de couro roxa, os bate-panela (não interessa contra o quê, mas eles protestam!), a Cinda, professora de Literatura que defendia a universidade pública para todos em integração com a natureza, mas adorava jogar um cigarrinho no chão; um certo casal gay que se agarrava a qualquer hora em todo lugar, tentando provar não sei o quê; a tia da lanchonete, sempre com uma cara de quem odiava estar ali e que tornava nossa manhã ainda pior; o Dentinho, sempre chamando as meninas de deusa, coração, tesouro (aff, que brega!)...

Professores merecem destaque especial: de Sílvia Frota a Vera Lima, a gente viu de tudo: Trabalho da Aurora, o mais time-consuming de todos os tempos (the little bottle behind the curtains); as aulas da Branca mentindo sobre o Chomsky, co-construindo meu saco cheio de Inglês 7... a Vera Lima dizendo que os monitores do CLAC 'não tinham capacidade reflexiva' numa reunião, mas depois dizendo 'very well done' depois de cada apresentação nossa (isso sem falar nos dias em que ela usava o calor como desculpa pra falar Português! rsrs); o 'very well my friends' da Selma, o sorriso deconcertante e irritante da Elisa, as aulas eu-quero-que-a-estácio-me-demita da Beatriz, Latim nada Genérico com o Carlos (o que a gente não faz por um professor charmoso!), a não Língüística I com a Quental, as curadorias do Bruno, a inteligência revoltante do Vítor Alevato, a globalização do Luiz Paulo, culpada por todos os problemas da humanidade, os 'grupis ófi tri' da Monica Paragraph, as peças da Fagundes... Aff, como a gente tem história pra contar!

Mas o que mais vou sentir falta é das pessoas que cruzaram meu caminho e me fizeram ser quem sou. Os que eram meus amigos e os que não eram. Com todos eu cresci, pelo amor ou pela dor. Bem que dizem que a faculdade muda a nossa vida. Pelo conhecimento, também, mas principalmente por vocês. Gente.

Queria dizer aquelas coisas bonitas que eu conseguia dizer e escrever nas aulas de Teoria Literária, mas nada me vem à cabeça. Só o sentimento de gratidão a Deus por cada dia destes 4 anos, em que Ele me guiou e protegeu, por cada pessoa que Ele mefez encontrar (e ainda de lambuja ganhei um namorado! rsrsrs), por cada desafio, por cada dia que pensei em desistir, mas segui em frente... Ai, quero chorar! Não sei nem como terminar isso aqui.

"Não tenho palavras pra agradecer Tua bondade
Dia após dia me cercas com fidelidade
Nunca me deixes esquecer
Que tudo o que tenho
Tudo o que sou, o que vier a ser
Vem de Ti, Senhor

Dependo de Ti, preciso de Ti
Sozinho nada posso fazer
Descanso em Ti, espero em Ti
Sozinho nada posso fazer

Tudo o que tenho
Tudo o que sou, o que vier a ser
Entrego a Ti, Senhor..."

sábado, agosto 18, 2007

Mude

"Mude. Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. (...) Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental. Tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. (...)

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"

(Edson Marques)

Não é tão simples quanto parece. Mas é bom... Ok, dá trabalho, exige um certo desprendimento... às vezes até incomoda. Mas é excelente para nos ajudar a manter o olhar infatil, o olhar de filósofo se encantando com o novo. E, sem dúvida, nos ajuda a nos descobrir.

O lugar da acomodação é gostoso, é confortável, mas é limitador. Mudar nos depara com nossa essência, aquela que nunca muda, que está sempre lá, mas às vezes é mais desconhecida do que qualquer estranho...

Mudar nos depara com a experiência e com quem podemos ser, e eu gosto do desafio. E é só a experiência que nos muda - aquela que nos atravessa de ponta a ponta, ou porque machuca, ou porque cura. Mas deixa uma marca inesquecível, e é impossível viver sem que essa marca mude nosso rumo...

Mudar pode ser traumático, também. Mas o risco vale a pena. E mudar fica muito mais interessante quando se é respaldado por um amor eterno, que não muda nunca...

Mudo o tempo todo. Não se assuste, mudar é legal. Até que eu mude de idéia...

sexta-feira, maio 18, 2007

Clarice Lispector

"Se tudo existe é porque sou. Mas por que esse mal estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal estar. No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza. O que há então? Só sei que não quero a impostura. Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado."(Clarice Lispector)

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma bênção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo. " (Clarice Lispector)


Ainda prefiro esta inquietação à comodidade de ser o que todos são. Ainda prefiro a incerteza do não saber do que a acomodação dos que já sabem tudo. Ainda prefiro caminhar mais do que andar por onde todos já passaram. Ainda prefiro ser contraditória, paradoxal e intensa do que ser o estereótipo que projetam. Ainda prefiro ser eu, porque sei que Deus me ama assim. Sem encaixes perfeitos, sem máscaras, sem medo.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Andando com Jesus, não há perdas...

É uma pena que lindas histórias de amor se acabem. É uma pena que nem tudo seja eterno, que nem tudo seja como sonhávamos. Mas também é uma pena que se fique preso no passado, remoendo o que foi bom e o que não foi, o que poderia ter sido mas não foi, o que devia ter sido feito mas não foi. È uma pena que se mantenha a porta da restauração sempre fechada, porque ser curado dói.

É sempre mais fácil se esconder, apontar, julgar, fazer suas próprias sentenças, negar perdão aos outros e a si mesmo. É sempre mais cômodo esconder-se atrás dos próprios medos e fracassos, mas eu não quero mais isso pra mim.

Vivi muito tempo agindo assim sem me dar conta. Porém, devagarzinho, mais uma revolução foi tomando espaço em mim, para recolocar as coisas no seu devido lugar. Deixei a doce menina (como chamo meu lado mais doce, inocente, mais essencial) em algum ponto da estrada, mas há algum tempo nos reencontramos e estamos nos descobrindo de novo.

Tudo o que eu queria era um tempo, um tempo só pra mim... Pra cuidar de mim. Já está mais do que na hora de parar com essa mania de cuidar de todo mundo ao meu redor e me deixar sempre pra segundo plano. Alguns vão encarar como egoísmo, mas já dizia a sábia Luka, "tô nem aí". Só eu sei a falta que me faço, só eu sei o quanto é bom gostar de mim.

Nesse processo, precisei romper com o passado, abrir mão de algumas "falsas certezas" que criei ao longo do caminho pra me sentir segura. Não, não era verdade: era só a minha vontade de que fosse verdade. Mas eu não quero mais mentir pra mim, não quero mais relegar meus sonhos, meus desejos - mas também não quero mais pisar em falso. Sei que alguns encaram como dor, perda ou derrota, mas não é assim que Deus tem me feito enxergar. E entre a visão humana e a do Papai, bingo! Eu fico com a dEle.

É incrível ver como quanto mais se anda com o Deus, mas se descobre como Ele é incrivelmente lindo e perfeito. Encantador! Como é lindo ver sua misericórdia a cada dia me atraindo pra mais perto dEle. Como é lindo ver que Ele me ama, apesar de quem eu sou: tão pequena, tão falha, tão incapaz, tão boba. O Deus dos impossíveis, o Rei dos reis, Senhor dos Senhores, o que tudo sabe, tudo vê, tudo controla, o que tem todo o poder, Ele me ama! Ele sempre me abre a porta da restauração, me oferecndo perdão e nova vida, nova chance. Eu não preciso me justificar, porque Ele é a minha justiça: meus pecados estão confessados e perdoados, e não aceito nenhuma acusação do diabo ou de quem quer que seja... Quero aprender a ser como Jesus, que se não revidou as acusações de seus inimigos, e como ovelha muda foi à cruz cumprir o chamado do Pai.

Senhor, eu jamais quero Te limitar na minha vida. Não quero te colocar em “caixas”, em modelos que não correspondem à tua soberania. Não quero fazer como alguns que dizem que Te conhecem e acham que já decodificaram todas as formas e maneiras que Tu tens de agir, dizendo “Deus faz assim” e “Deus não faz assado”. Que o meu coração esteja sempre quebrantado e humilde pra reconhecer Teu mover em minha vida e pronta pra receber o Teu novo...

Senhor, eu Te amo, sou Tua pra sempre...

sábado, março 25, 2006

Átopos

Sim, estou com medo. Odeio admitir isso.
Eu, tão forte, tão decidida, sempre tão na ativa, sempre sabendo o que fazer.
Talvez eu esteja em algum lugar dentro de mim, tão escondida quem nem eu mesma sei como resgatar...

Tenho medo disso nunca passar. A cada um de nós é dado um tempo, eu sei - só tô com medo de não reconhecê-lo.
Tô com medo de que o tempo me enrosque em seus tentáculos, me absorva de tal modo a ponto de ele fazer o que eu deveria ter feito.
Medo de que o tempo não faça nada, e nem eu. Ficaremos os dois assim, brincando de esconder: eu, esperando que ele me consuma, fingindo ignorar sua ação; ele, eternamente efêmero, fazendo de mim o que quiser.

Contrariando tudo o que eu sou e todo o meu bom senso, tudo o que quero é fugir.
Longe. Onde ninguém saiba meu nome. Onde ninguém saiba quem sou. Onde ninguém diga quem tenho que ser.
Eu e você, doce menina. Preciso te reencontrar.
Preciso redescobrir o que provocava teu sorriso. Preciso dos motivos para o teu brilho, que eu, com essa mania de maturidade, teimo em ofuscar.
Preciso da tua inocência, da tua insanidade, do teu medo de escuro. Talvez, o medo que sinto seja a única coisa que ainda me faça crer que você sou eu. Somos uma só, ainda.

Não chore, doce menina - eu sei que você está aí. Eu não te abandonei.
Na verdade, eu sei quando você aparece. Eu sei quando é a sua voz falando alto. Me perdooe por te calar tantas vezes...
A culpa é minha, eu sei, fui eu que deixei isso acontecer.Vai ser tudo como era antes, eu juro.
Você vai ver como tudo vai dar certo, tudo vai ficar bem de novo...
Só preciso tomar coragem. E cuidado.

Antes, preciso chorar. Eu e você, sozinha.

terça-feira, março 21, 2006

Homengem póstuma

Tenho pensado muito sobre as relações humanas nesses dias, principlamente sobre a amizade. É engraçado e curioso como as pessoas se encontram, se esbarram pela vida, e as alterações de rumos que esses encontros provocam.

Ao chegar na faculdade hoje, me deparei com a notícia da morte de um amigo distante, porém muito querido. E imediatamente me lembrei deste texto, creditado à Vinícius de Moraes:

"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os."

Hoje, estou torta para um lado. Francisco André, querido, talvez nunca tenha dito o quanto seu sorriso e sua companhia eram importantes pra mim. Apesar de afastados pelo rumo da vida, ver suas fotos e lembrar do tempo que convíviamos sempre deixavam meu dia mais feliz e meu coração mais leve...

Saudades Eternas.

terça-feira, março 14, 2006

Minha geração - olhos proféticos

Esta é a minha geração. Uma geração apaixonada, fascinada pelo seu Noivo, que anseia por vê-Lo face a face e vive de maneira coerente com essa paixão. Uma geração que não é fanática, mas radical: radical contra tudo aquilo que fere a santidade do seu Senhor. Esta é uma geração insaciável, que quer ir mais além do que já tem ido, que tem sede e fome incontroláveis da presença de Deus, que não se conforma em viver nem um dia sequer longe da Sua face. Uma geração que O coloca acima de tudo, e que mais e mais busca estar debaixo do Seu senhorio e fazer a Sua vontade, cumprir Seus planos. Uma geração íntima do seu Noivo, que O adora intensamente, de modo extravagante e sem barreiras. Um povo que se nega a seguir os padrões que o mundo estabeleceu para a juventude simplesmente para ser "igual" aos outros, mas que luta para que os perdidos conheçam a grandeza do amor de Deus. Geração que não apenas canta o amor, mas vive o amor pelos perdidos, pois eles são a razão da morte do seu Senhor. Gerção que é corpo, único, e se esvazia todos os dias em prol da unidade desse corpo. Somos uma geração que quer desesperadamente refletir a glória do Pai neste mundo, salgar essa terra, iluminar as trevas, estabelecer e fazer a diferença da geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido para anunciar as virtudes dAquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz... (1 Pe 2:9) Escreve através de nós a Tua história, Senhor! Usa-nos para o Teu louvor... Somos apaixonados por Ti!!!

quarta-feira, março 08, 2006

Caught up in emotions

Sabe quando seu coração começa a sentir coisas que você não pediu, não queria sentir e não planejou, e tudo isso de repente? Você não sabe como começou, nem de onde veio e muito menos para onde vai - mas o sentimento está lá. Insistente, pungente e, no mínimo, inconveniente.

Eu estou me sentindo assim. De repente me veio uma tristeza, uma angústia, uma dor no peito... Meu coração está pequenininho, como uma criança quando descobre que Papai Noel não existe. Não sei o que é isso, só sei que não passa. Um bolo no estomago, um grito entalado na garganta. E nem consigo escrever sobre isso, por que é tão forte que nem consigo me concentrar pra descrevê-la...

A dor não passa, mas, aos poucos, eu vou conseguindo percebê-la melhor. Com um pouco mais de atenção, consigo até perceber o que ela quer me dizer. Acho que é a tal "voice within" querendo sinalizar que alguma coisa está errada... E, de fato, está.

Eu sou 8 ou 80, fria ou quente, e do gelo vou direto à explosão. Passou o tempo de me calar, de segurar, de esconder, de adaptar. Acabou a Letícia que todo mundo quer que eu seja, a que eles sonharam. Não vim ao mundo pra realizar os sonhos de ninguém, a não ser os do Espírito Santo na minha vida. Não sou extensão nem complemento de ninguém, e detesto ser vista desta forma! Detesto ter que agir segundo o molde dos outros.

Nao estou falando daquelas concessões normais que fazemos para vivermos em sociedade - estou falando de cerceamento, polimento de liberdade individual. Eu sou quem sou, gostem ou não disso. Tenho meus próprios sonhos, medos, anseios e escolhas a fazer - que são de responsabilidade minha, e de mais ninguém. E agora, a única expectativa que faço questão de responder é a de Deus sobre mim.

Não vou mais deixar que me sufoquem desse jeito!

Sem cobrancas, sem estresse, sem grilos.

Lua adversa
Tenho fases, como a lua.

Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

(Cecília Meireles)

quinta-feira, março 02, 2006

Relacionamentos

“Não me entrego sem lutar, tenho ainda coração
Não aprendi a me render, que caia o inimigo, então”

(Metal contra as nuvens – Legião Urbana)


Hoje eu quero falar de relacionamentos e a segurança que tenho deles, mas não tenho nem noção de como começar o texto. Tenho apenas algumas idéias desconexas e talvez tão insanas quanto eu.

Eu tenho enorme defeito (ou será qualidade?) de entrar nas coisas de cabeça, mergulhar de ponta sem me importar com a profundidade do rio. Eu sou assim e não sei ser de outra forma. Talvez um dia eu aprenda a não ser nem 8 nem 80. Tenho percebido que a frase que mais definiria minhas atitudes (“quente ou frio, morno eu vomito”) tem me feito bater constantemente com a cabeça no fundo do tal rio.

Quando o fundo é de areia, tudo bem: o impacto é amortecido. Mas quando é de pedra? Já imaginou a dor que causa? Nem quero lembrar! Cada batida no fundo causa dores que deixam feridas no meu ser, no meu coração. As de areia passam rápido, ou só deixam os hematomas; as de pedra sangram, deixam marcas profundas, visíveis.

Por muito tempo, tive vergonha de admitir as cicatrizes deixadas pelo choque com os fundos de pedra, mas comecei a perceber que cada vez que eu me feri, eu cresci. Algumas vezes aprendi lições que não me fizeram mergulhar diferente, mas me ensinaram a lidar de forma mais madura com os próximos choques. Sabe, talvez eu devesse ter aprendido a medir a profundidade do rio antes de me atirar de cabeça louca pra mergulhar nele, mas essa não seria eu.

Quer saber? Não importa quantas vezes já me feri. Na maioria dos mergulhos, eu fui feliz, conheci seres maravilhosos, paisagens perfeitas, evoluí. Feridas sempre vão existir e nem por isso eu vou deixar de mergulhar, não vou deixar meu coração ser petrificado por causa da dor que um dia existiu e que de vez em quando insiste em se fazer lembrar. Vou caminhando de peito aberto, cabelos ao vento, à procura de mais um rio, louca por mais um mergulho, mais uma vez de ponta. Prefiro agir sempre de forma passional e ter algumas decepções a ficar pensando quinhentas vezes antes de agir e acabar por chegar à conclusão que é o melhor é não fazer nada.

Quero ser feliz, apaixonada, estressadinha como sou. Me nego a ser morna, sem graça, sem vida! Sou doidinha como meus amigos me definem, intensa como eu me definiria. Vou continuar mergulhando de ponta e batendo minha cabeça, arrumando feridas onde não puder evitar e como sei que as alegrias são sempre em maior quantidade, as dores serão superadas. Que a saudade venha mesmo que pareça me ferir com um punhal. Eu já tenho força o suficiente para retirar o punhal quantas vezes ele insistir em ferir meu peito.

Muitas pessoas vão entrar na minha vida e nem todas segurarão minha mão e caminharão comigo por belos caminhos. Algumas me farão conhecer a escuridão e me deixarão só. Eu aprenderei com ambas. Relacionamentos não têm seguro. A gente se doa, se dá, se oferta sem segurança alguma de que teremos retorno de tudo isso. Quanto mais me ferem, mais forte eu fico, porque o amor que habita em mim é infinitamente maior do que a maldade de todo o mundo.

(Adaptado)

sábado, fevereiro 25, 2006

É carnaval! Alegria! Mas... até quando, mesmo?

É carnaval! Mesmo que você não goste, não tem como escapar do "clima" de folia que se espalha pela cidade. Festa, cor, prazer, tudo levado até as últimas conseqüências, até o talo, pra compensar um ano inteiro de problemas, ralação e desprazeres, e pra se preparar pros problemas que batem à porta depois da quarta-feira de cinzas. Vale tudo - afinal, esses quatro dias são pra isso mesmo, não é? Esquecer dos problemas e "se jogar" na vida! E o que sobra depois disso? O nome não poderia ser mais apropriado: cinzas. Destroços. Restos. Mortificações.

Acho ótima essa alegria, esse sentimento de liberdade, de desprendimento dos problemas. Afinal, não há coisa pior do que viver atormentado pelos problemas do cotidiano, carregando um fardo tão pesado que nos impede de andar em direção à solução destes problemas. Mas por que essa alegria tem que durar só quatro dias? Por que só dá pra ser feliz nessa época do ano? Por que essa "alegria" tem que ser regada a álcool, exagero, promiscuidade, desequilíbrio?

Isso tudo me cheira a falsidade. Mentira. O carnaval é, pra mim, apenas mais um mecanismo do sistema opressor. Vivemos com pouco dinheiro o ano inteiro, ralando pra manter o mínimo de dignidade que ainda nos resta, nos submetendo às condições subumanas (é estranho, né? Mas é assim que escreve) que os nossos governantes nos oferecem. Quando estamos a ponto de explodir, o que nos é sugerido? Quatro dias pra soltar os bichos, pôr de lado o estresse, as mazelas, esquecer o sufoco que passamos durante o ano inteiro. Assim, passamos a achar "normal" a situação em que vivemos. Não tem outro jeito, tá ruim pra todo mundo, né?

Ledo engano (ledo mesmo!). Quem é que disse que a gente tem que se conformar? E quem é que disse que alegria tem que ter data e hora pra começar e terminar? E quem foi que disse que isso aí é alegria? Será que tanta depravação e libertinagem realmente fazem alguém feliz de verdade, profundamente? E por que dependemos das condições pra sermos felizes?

Eu conheço uma alegria que dura muito mais do que quatro dias, e não tem nada a ver com a solução que as religiões oferecem. Tem a ver com Aquele que é o dono da verdadeira alegria, que é capaz de gerar em nós uma paz que excede todo o entendimento (Fp 4:7). Essa paz não está sujeita a dinheiro no banco, saúde, ausência de problemas ou qualquer outra condição que acreditemos ser imprescindível para vivermos bem. É a paz que só aquele que conhece a Cristo com intimidade pode desfrutar. É essa paz que nos faz seguir em frente mesmo quando todas as circunstâncias dizem "não". É essa paz que nos faz sentir uma alegria permanente e real, porque suas raízes não estão fincadas em calendários humanos, mas na morte de Jesus na cruz, que trouxe vida abundante pra todo que crê e aceita esse sacrifício.

"O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância" (Jo 10:10)


No Carnaval, a diferença entre o "ladrão" e Cristo fica bem clara. O ladrão vem pra roubar a vida abundante, trocando-a por uma falsa sensação de liberdade de duração curta. Ele mata a esperança e a vontade de fazer as coisas darem certo, de não se render ao sistema, fazendo-nos aceitar tudo como está. Destrói os valores morais, a noção de certo x errado, o equilíbrio que nos faz ter uma vida saudável. Mas Jesus vem para desfazer as obras do ladrão, trazendo-nos vida de príncipes e princesas, filhos do Rei dos Reis, desfrutando livremente da Sua presença que transforma todo lamento em baile!

"Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria, para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. SENHOR, meu Deus, eu te louvarei para sempre."
(Sl 30:11-12)

"Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo"
(Rm 14:17)

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Apaixonada... Simples assim!

Estou apaixonada...

E adoro me sentir assim, neste estado de êxtase, encantamento inicial com as coisas. Não necessariamente com coisas novas, mas pela redescoberta das antigas... E pelas surpresas que Deus me proporciona a cada dia.

Nenhuma palavra que eu conheça é capaz de descrever o que venho sentindo nessas últimas semanas. Só sei que é algo maior que eu, não sei explicar, não sei controlar... E, pelos comentários das pessoas ao meu redor, parece que está bem explícito mesmo. Me sinto mais bonita, mais confiante, mais segura dos meus sonhos... E até mais livre pra lidar com meus medos, anseios, dúvidas e nóias.

Estou apaixonada pelo meu Deus, que tem aberto os meus olhos pra ver o quanto Ele tem me abençoado e me proporcionado viver coisas lindas todos os dias. Estou apaixonada pelo meu namorado, um presente dos mais lindos que eu já ganhei. Apaixonada pela minha faculdade, que abre os meus horizontes e me dá novas perspectivas. Apaixonada pelos amigos que fiz lá nesses últimos dias - encontros inesquecíveis, sem dúvida (you know who you are!). Apaixonada pela música, cada dia mais. Apaixonada pelo meu espaço, pela minha liberdade, pela minha insanidade pontual... Apaixonada por este blog!

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Tensão

É impressão minha ou ativaram algum disparador de estresse nas pessoas? Caramba, qualquer coisinha já vira um barraco, uma exigência pelos seus direitos, uma oportunidade de auto-afirmação sobre os outros! Que necessidade é essa que as pessoas têm de se afirmar o tempo inteiro?

Eu aprendi com alguém (não me lembro quem...) que todo inseguro quer um lugar de destaque. Todo esse estresse, essa tensão que exalta o ânimo das pessoas o tempo inteiro e as faz querer brigar, mostrar que não são bobas, que sabem o que querem, pra mim cheira a insegurança. E eu acho um saco isso, essa gente querendo fazer você de cobaia pra mostrarem que elas têm algum valor. E parece que isso só é possível rebaixando e ofendendo os outros (faz sentido, pra você se sentir superior, a saída é inferiorizar os outros!) Às vezes, tenho que respirar fundo e pensar 500 vezes pra manter o controle diante de gente assim.

Não há que se provar pra ninguém quem você é de verdade - a vida se encarrega disso ao longo do tempo. E por mais esforço que se faça para parecer algo diferente, a tão falada máscara cai um dia, e não há como escapar. Sem que falar que, pra vivermos em sociedade, uma regrinha básica é a tolerância... Ah, já havia me esquecido - no mundo de hoje não há espaço pra isso, né? Só há espaço pros egos feridos.

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há..."

sábado, janeiro 07, 2006

Dança da Solidão

Eu gosto de ficar sozinha, embora isso quase nunca aconteça. Estou sempre rodeada de muitas pessoas, onde quer que eu vá. Talvez por isso, desenvolveu-se em mim a estranha habilidade de estar sozinha mesmo em público.

Não é que eu não goste de gente - pelo contrário. Amo gente, amo cheiro de gente, amo gente que não tem medo de ser gente. Amo estar rodeada de amigos, amo a risada deles, amo os olhares... Amo até gente estranha aos meus olhos, gente que não conheço, até gente que me incomoda. Mas todo mundo precisa ficar sozinho ás vezes, só você e ponto. E como eu quase nunca consigo fazer isso, a necessidade desses momentos "a sós comigo mesma" torna-se mais presente e insistente.

Ainda tem o agravante de, aqui em casa, não haver o mínimo de respeito pela privacidade alheia (considerada como "frescura" por aqui). Todo mundo entra a hora que quer, fala o que quer, dá palpite na sua roupa, no seu namoro, na arrumação do seu quarto, no corte do seu cabelo. Não consigo nem orar em paz que já vem gente querendo saber porque eu tô chorando/rindo/quieta.

É por isso que bato tanto o pé por um quarto só meu. Acho que, mesmo depois que eu casar, além do quarto que vou compartilhar com meu marido, vou querer um quarto só pra mim. Preciso ter meu espaço, meu canto. Guardar minhas agendas antigas sem ter o perigo de ninguém ler e nem ter que responder pra que eu quero guardá-las. Guardar meus discos da infância, minhas bugingangas, as cartas dos amigos, as lembranças do ex-namorado. Ficar sozinha, me curtindo, curtindo quem sou, quem me tornei ao longo dos anos e planejando (ou não) quem pretendo ser. Curtindo o meu Deus, com liberdade pra chorar, falar, gritar, dançar, calar, me expor diante dEle, deixar que Ele me mostre quem sou, que cure minhas feridas, que ministre ao meu coração.

Coloco o celular pra despertar de madrugada. Vou pra sala, abro a janela e sento no parapeito. Acham que estou com insônia ou que estou com problemas e não quero me abrir. Deixa pra lá. Eu sei bem o que estou fazendo ali...

I'm not a girl - there is no need to protect me
It's time that I learn to face up to this on my own
I've seen so much more than you know
Now don't tell me to shut my eyes
I'm not a girl, don't tell me what to believe
I'm just trying to find the woman in me
All I need is time, a moment that is mine
While I'm in between
I'm not a girl
But if you look at me closely
You will see in my eyes
This woman will always find her way...

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Admita, Letícia

Admita, Letícia: vocês não são mais os mesmos amigos de antes. Vocês não são mais aqueles amigos-irmãos que se entendiam apenas pelo olhar, que se afinavam, que incentivavam um ao outro. É duro, mas isso passou.

Entenda, Lê, a vida passa e as pessoas seguem seus rumos. Você não é mais a mesma: cresceu, amadureceu, mudou, em todas as áreas da sua vida. Já entendeu qual é o seu ministério, já encontrou seu lugar em Deus, já encontrou também o homem que vai caminhar com você pro resto da vida. Não tem mais os mesmos sonhos - eles também cresceram e amadureceram.

Assim como aconteceu com você, ele também deve ter mudado. Mas como isso aconteceu longe de você, agora você está assim. Triste, confusa, se perguntando se foi algo que você fez que possa ter causado essa perda de intimidade e afinação. Eu sei que ele é muito importante pra você, Lê. Não precisa me dizer. Eu estava lá com você, eu sei a diferença que ele fez e ainda faz na sua vida. Sei também que esse sentimento sempre foi puro e inocente. E por te conhecer muito bem, sei que você é carente. Você precisa ter todos os seus amigos do seu lado, precisa saber se eles estão bem, se estão felizes... E embora vocês os respeite em suas escolhas e decisões, está sempre ao lado deles, concordando ou não com eles. Mas não dá pra ser assim sempre.

Eu sei que dói lembrar dele, da amizade, da intimidade que vocês tinham. Dói mais ainda não ter nem como conversar com ele sobre isso, por você mesma ter dúvidas se isso não passa de sensibilidade excessiva. Você deve estar pensando: "É isso que dá mergulhar tão fundo!". Mas você e eu sabemos que você só sabe ser assim, intensa em tudo o que faz e vive. Sei também que ele está bem guardado no seu coração, pra sempre.

Vá em frente, siga seu caminho. Quem sabe vocês não se esbarram por aí...

De: Letícia (razão)
Para: Letícia (emoção)

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Impressões

A primeira impressão pode ser a que fica, mas será que é a que corresponde a realidade? Aliás, mesmo depois de muitas impressões, será elas são suficientes para se julgar alguém?

Acho que não. Mas parece que o mundo acha que sim. Sentenciar alguém baseado no que parece ser, por mais apurado que seja o seu grau de "percepção", é arriscado, injusto e mentiroso. Ninguém pode penetrar a divisão da alma e do espírito a não ser o Espírito Santo, e é por isso que só Ele pode sondar e julgar. E se Ele não me condena, quem é que vai ousar fazer tal coisa?

Ninguém sabe por que ando com sono mesmo fazendo o que tanto gosto. Ninguém sabe por que motivo escolhi estar muito arrumada e chique num dia e completamente praiana no outro pra ir ao mesmo lugar. Ninguém sabe por que cortei o cabelo. Ninguém sabe porque já estou de saco cheio deste ano que foi tão importante pra mim em tantos aspectos. Então, não fale, não julgue, não determine nada sobre mim. E nem duvide da minha capacidade de fazer o que quero.
 
Revolução em Mim. Design by Exotic Mommie. Illustraion By DaPino